18 de out de 2015

Caso Mia

Pausa no assunto casamento para falar de um outro secundário, mas não menos importante.

Desde sempre eu e o Tiago pensávamos em ter filhos logo. Era um "combinado", que assim que passasse o casamento e as euforias de uma nova vida a dois partiríamos para a segunda etapa.

Assim que casamos, na primeira semana, decidi adotar a Mia, uma gatinha vira-lata muito especial. Desde o início ela apresentou alguns problemas de saúde que tomavam muito meu tempo e rendiam várias visitas ao veterinário.

A Mia foi adotada com 3 meses e meio de vida e veio com uma diarreia crônica causada pela intolerância à ração de filhote (à um componente existente nela, né). Como eu não imaginava que uma gatinha vira-lata pudesse sofrer dessa frescurinha, testei 3 rações diferentes até desconfiar que o problema não era a marca e nem o sabor, era a ração de filhote e seus componentes.

Ração trocada, problema resolvido.

Mas nesse meio tempo ela ainda tomou probiótico por 7 dias para reconstituir a flora intestinal e melhorar a absorção de nutrientes que estava prejudicada por causa de 4 meses com diarreia.

Eu sempre tive gatos em casa e estava acostumada com o desenvolvimento deles, e mais acostumada ainda com um gata angorá que deixei na casa da minha mãe que tem a cara do tamanho da minha. Então a Mia sempre chamou minha atenção na magreza e na miudeza. Ela era um cisco! Mas eu achava que à medida que fosse crescendo ia encorpando, principalmente depois que viesse a castração. E principalmente depois que o probiótico fizesse efeito e seu organismo voltasse a absorver tudo de saudável.

Mas antes que isso fosse possível, comecei a perceber comportamentos estranhos dela, principalmente por ser um gato. A Mia levou três tombos feios em uma semana. E aí em um domingo a noite, ela foi subir no meu colo de uma alturinha de nada e caiu... E demorou um pouco para levantar. A minha crise de choro foi instantânea. Eu sentia que tinha algo errado.

Levei ao veterinário e descobrimos uma bactéria, baixa imunidade e uma anemia severa. Antibióticos, desidratação, internação, mais exames, mais remédios... Foram 20 dias de cuidado extremo e dedicação integral. 20 dias de muito remédio naquele corpinho frágil e sem nenhuma gordura.

Fui acompanhando a piora da Mia com o coração doendo sem ter o que fazer. A incontinência urinária veio, e com ela uma casa suja e um sofá com cheiro de xixi de gato. Mas que importância isso tinha? Eu me desprendi de todas frescuras de recém-casada em prol da saúde da Mia.

E aí, no dia 11/09, com mais uma consulta agendada pras 11h, porque eu já tinha visto no olhar dela que algo não ia bem, a Mia morreu às 10h30. Ela não aguentou esperar, seu corpo não suportou mais e ela cumpriu (muito bem) o seu papel na minha família.

E diante disso, acho que vocês conseguem entender que eu não relacionei o "caso Mia" com o fato de querer ter filhos atoa.

A Mia me deu tanto trabalho, tanta preocupação! A minha rotina foi adequada às necessidades dela. Gastei um dinheiro que talvez eu compraria algo pra mim, ou pro meu marido, ou pra minha casa... Mas foi com ela que eu gastei. Gastei dinheiro e gastei tempo. Gastei tempo e gastei energia...

Mas ela me deu tanto amor! Me deu (de presente mesmo) a paciência que eu não tinha, a tolerância que era uma palavra estranha dentro do meu vocabulário. Me ensinou a perceber a fraqueza do outro e mais, a me sensibilizar com ela e me colocar à disposição no que eu puder ajudar.

Nunca vai existir uma igual, principalmente por ser uma gata, ela era diferente, e pra quem acredita nessas coisas, eu acho que ela veio com um propósito e foi embora com a missão cumprida. Eu e o Tiago agradecemos todos os dias pela Mia, ou pela "Berenice", porque era assim que ele a chamava.


2 comentários:

  1. Fiquei extremamente emocionada com seu depoimento!
    São de exemplos como você, que precisamos nesse mundo.
    Mesmo através da dor e das dificuldades, você soube absorver uma liçãode amor.

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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